Pegadinhas da Língua Portuguesa – 03

Dando continuidade, vamos dar mais dez dicas de Portugês que vai ajudar muita gente a não cair nas pegadinhas colocadas em provas de vestibular e concursos. As publicações serão semanais. Se você desejar receber os lembretes das publicações, cadastre seu e-mail na lista do blog através do formulário que se abre quando você mover o mouse para fora da área da página ou tentar sair do blog.

Pegadinha 21

A polícia não pode prendê-lo porque ele é de menor.

Eis uma seção de dicas de português para vestibulares e concursos cuja sutileza muita gente boa não percebe.
O predicativo dessa frase liga-se ao sujeito com auxílio de verbo de ligação sem preposição.
O povo é que construiu essa anomalia.
Veja outros exemplos de predicativo:
Ele é sargento do exército.
Ela é maior de 14 anos.
Ela é a rainha do colégio.
Ele é menor de 6 anos.
Meu pai é professor.

Então, depois da correção da frase inicial, fica assim:

A polícia não pode prendê-lo porque ele é menor de idade.

Pegadinha 22

Sou difícil de fazer amizade.

Neste tópico de dicas de português para concursos, a frase já se inicia por uma incoerência, pois ninguém é difícil ou fácil de coisa alguma. Pelo menos, assim se espera. O que é difícil não é a pessoa, mas sim a ação de fazer amizade. O sujeito dessa frase é oracional — fazer amizade — e o predicativo é difícil. O verbo é de ligação — ser.
Então, depois da correção da frase inicial, fica assim:
É-me difícil fazer amizade.
– ou –
Fazer amizade me é difícil.
– ou –
Fazer amizade é difícil para mim.

Pegadinha 23

Já comuniquei o chefe que a mercadoria chegou.

Esta pegadinha de português para vestibular e concurso aborda um deslize sutil e corriqueiro, ideal para uma questão de concurso. Não devemos, jamais, comunicar uma pessoa, seja ela quem for. O que se comunica é o objeto da comunicação, isto é, o assunto, o fato ocorrido. Comunica-se, sim, à pessoa um determinado fato. O verbo comunicar possui dois objetos. Um deles é o objeto indireto, que é a pessoa que recebe a comunicação. A esse objeto o verbo se liga sempre por meio de preposição. O outro complemento verbal é o objeto direto, que representa o fato comunicado. Veja os seguintes exemplos: Daniel comunicou ao Mário a demissão da antiga secretária.

O presidente comunicou ao povo a decisão que tomara quando decidiu o caso. O marido comunicou à mulher que naquele dia não iria almoçar em casa.

Então, depois da correção da frase inicial, fica assim:

Já comuniquei ao chefe que a mercadoria chegou.

Pegadinha 24

A rapariga está meia aborrecida.

Mais um exemplo de pegadinha que tirou preciosos pontos para a aprovação de muitos vestibulandos e concursandos. Meia, modificando substantivo, é adjetivo e varia em gênero e número. Exemplos:

Meio litro de água. (metade do litro)
Meia xícara de café. (metade da xícara)
Ele fala em meias palavras. (metade das palavras, como metáfora de “não dizer tudo”)
Ele se expressa em meios termos. (idem, explicação acima)
Meio, modificando adjetivo, é advérbio e, como tal, não varia. Exemplos:

Ela está meio triste.
As duas moças permanecem meio confusas.
Então, depois de corrigida a frase inicial, fica assim:
A rapariga está meio aborrecida.

Pegadinha 25

Mais de um artista cantarão.

Este caso exige-nos atenção redobrada. Embora saibamos que a expressão “mais de um artista” representa, no mínimo, duas pessoas, devemos levar o verbo à forma da terceira pessoa singular cantará, fazendo a concordância gramatical com o numeral um da expressão “mais de um”. Veja outros exemplos:

Mais de um automóvel foi sorteado.
Mais de uma mulher assistiu à cena.

Do mesmo modo, é feita a concordância de frases do tipo Menos de dois alunos fizeram a prova. Nessa frase, embora compreendamos que a expressão “menos de dois alunos” representa, quantitativamente, um aluno; a concordância também é gramatical, com base no numeral dois da expressão “menos de dois alunos”, e não ideológica, isto é, com a ideia ou sentido que a frase puder sugerir. Outros exemplos:

Menos de dois livros, foram queimados no incêndio.
Menos de duas moças saíram antes de o espetáculo se findar.

Então, depois de corrigida a frase inicial, fica assim:

Mais de um artista cantará.

Pegadinha 26

Eu nasci há trinta e cinco anos atrás.

Esta pegadinha nos lembra uma famosa música dos anos setenta — Eu nasci há dez mil anos atrás. Há excesso nessa frase! Quando ocorre excesso desse tipo, dizemos que existe redundância, isto é, repetição viciosa, que só empobrece a linguagem de quem a comete. O verbo haver, por si só, já representa “tempo transcorrido”, a palavra atrás é redundante. Deve-se, portanto, escolher — ou se escreve há, do verbo haver, ou atrás.

Então, depois de corrigida a frase inicial, poderia ser escrita de duas maneiras:

Eu nasci há trinta e cinco anos.
ou
Eu nasci trinta e cinco anos atrás.

Pegadinha 27

Viemos aqui, nesta hora, expressar nosso agradecimento pelo grande favor que nos fizeram.

Neste caso, apresenta-se um verbo comumente usado de maneira errada em algumas de suas formas. Nesta oportunidade falaremos apenas sobre um desses deslizes cometidos com o uso indevido do verbo vir. Ninguém diz: “estivemos aqui, nesta hora.” Diz-se, porém, no tempo certo: “estamos aqui, nesta hora.” Se é “nesta hora” que o fato ocorre, então, o verbo deve estar no presente.

Então, depois da correção, tem sua frase inicial assim escrita:

Vimos aqui, nesta hora, expressar nosso agradecimento pelo grande favor que nos fizeram.

Pegadinha 28

O político que se pode confiar ainda não nasceu.

Este é erro próprio da fala popular, linguagem que não está nem aí para a regência verbal. Erros desse tipo são muito explorados em provas de vestibulares e concursos públicos. Esteja alerta, caro leitor. A regência do verto confiar exige a preposição em, pois quem confia, confia em alguém, e não confia alguém.

Este tópico, depois da correção, tem sua frase inicial escrita assim:

O político em que se pode confiar ainda não nasceu.

Pegadinha 29

Traze-me uns pastelzinhos.

Neste tópico, focalizamos um aspecto muito explorado em provas de vestibulares e concursos públicos – o plural dos diminutivos em -zinho -, que é feito do seguinte modo:

A – leva-se o substantivo ao plural em seu grau normal: pastéis;
B – retira-se o s final: pastei;
C – acrescenta-se -zinhos, e pronto: pasteizinhos.

Outros exemplos:
pãezinhos
carreteizinhos
limõezinhos
caracoizinhos
aneizinhos

Depois da correção, a frase correta fica assim:

Traze-me uns pasteizinhos.

Pegadinha 30

O relógio marcou meio-dia e meio.

Esta pegadinha que, de vez em quando, figura em provas de vestibular e concurso, sempre acaba tirando candidatos do páreo. A palavra que se refere a horas é meia e não meio. Diz-se nove horas e meia, vinte horas e meia e assim por diante.

Então, depois da correção, temos a seguinte frase:

O relógio marcou meio-dia e meia.

Continua…

 

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